Talvez o assunto mais polêmico da especificação do CSS3 (enquanto o mais polêmico do HTML5 provavelmente seja o codec de <video>), o Web Open Font Format foi aprovado pela W3C no último dia 8, tendo também como signatário… a Microsoft.
Ter a Microsoft no jogo significa muito. Primeiro, porque o IE detém o maior market share; de nada adianta o desenvolvimento de um padrão se ele não puder ser amplamente usado. Segundo, porque se esperava que a Microsoft fosse aparecer com algum formato próprio e ir mais uma vez contra a corrente. Terceiro que, além do suporte a HTML5 e outros padrões já estabelecidos que serão suportados no IE9, a Microsoft deve somar forças no desenvolvimento dos novos padrões e tirar o atraso.
O WOFF já vinha sendo apoiado pela Mozilla e por várias type foundries (design/comércio de fontes) e surge como a evolução de outras iniciativas: ZOT (Mozilla) e .webfont (designers de tipos). Outros formatos fazem parte das tentativas de incorporação de fontes em sites: EOT (da Microsoft. Talvez o primeiro formato, suportado inclusive no IE6), uso direto de OpenType (Safari, Mozilla) ou mesmo SVG.
Entre os requisitos para um bom formato de webfonts estão a geração de subsets, compressão, incorporação da licença de uso da fonte e a compatibilidade com os formatos existentes, tanto para uma boa conversão das curvas das fontes, quanto para o suporte a ligaduras e outras features dos formatos modernos de fontes.
O que muda com o WOFF
Como você deve saber bem, para se usar hoje uma fonte (declarando font-family e pronto) esta precisa estar instalada no computador do usuário, o que limita as escolhas a pouco mais de meia dúzia de fontes seguras.. A simples incorporação da fonte também não é uma solução aceitável para as foundries, uma vez que abriria (ainda mais) as portas para a pirataria.
Usar hoje uma fonte diferente em um projeto web exige alguns malabarismos. O primeiro deles é usar imagens para representar o texto (não esquecer do atributo alt, por favor). Dá algum trabalho, mas resolve se o texto for estático. Caso contrário, passamos para os text replacements, que são scripts (PHP, Flash, JS, etc) que substituem o texto dos elementos especificados na página por imagens geradas dinamicamente, Flash ou SVG (caso do Cufón, usado nos títulos aqui do TAS). O text replacement também tem suas desvantagens, por depender de plugins e outros suportes do browser, pesar um bocado ou não suportar a seleção do texto.
A incorporação de fontes é normalmente aceita de alguma forma pela licença das fontes. Comum em Flashs e PDFs, vai ser também para a Web. Uma versão limada da fonte (com apenas os caracteres necessários para a apresentação do conteúdo) é gerada e incorporada ao site, o que também já é considerada uma proteção suficiente.
Daqui pra frente
Aceito pela W3C, o padrão vai ser conduzido pelo WebFonts Working Group para refinar a especificação e desenvolver uma recomendação formal. Provavelmente o WOFF não seja suportado a curto prazo nos browsers, tampouco já deve fazer parte do IE9, mas, pra uma novela que já se arrasta por tanto tempo, não custa esperar um pouco mais.
(via Ars Technica e Estadão)








