Aqui vai uma pergunta aparentemente fácil: Software bom é aquele que atende a todos ou só a um grupo especializado? A maioria das pessoas não vai hesitar em responder, mas o número de pessoas que acham melhor o software que atende a todos ou o que atende a um grupo especializado é quase igual. Temos softwares de sucesso em ambos os lados como o Microsoft Project e o TRAC. O Microsoft Project procura atender a todos os clientes que precisam de um gerenciador de projeto, enquanto o TRAC procura atender somente aos que precisam de um gerenciador de projeto simples. Não existe o melhor ou pior, mas neste post vou tentar convencer a vocês de que se construir softwares para um grupo especializado é melhor.
Uma empresa de Chicago, Estados Unidos, chamada 37Signals lançou há algum tempo um livro que considero uma obra-prima do desenvolvimento de software, o Getting Real (versão em português). Alguns gostaram tanto do livro a ponto de dizer que seu conteúdo é uma metodologia. Na verdade o Getting Real está mais para uma filosofia de gerenciamento de projeto de software, que também pode ser aplicada em outras áreas. O livro tenta deixar claro que você ganha mais quando faz menos – e que novos problemas, funcionalidades e mudanças vão aparecer sempre, e se você se mantiver pequeno passará por eles mais facilmente.
Um conceito interessante é que você sempre deve se focar na prática, fazendo com que a teoria se torne uma maneira de melhorar a prática. A prática é tão levada a sério que o livro recomenda que você comece o sistema pelas telas e não pelos diagramas uml, porque com as telas que os usuários do sistema vão interagir. E eles não estão mentindo.
Também seguindo o conceito de A Catedral e o Bazar (de Eric Raymond), o Getting Real incentiva que o software seja liberado para os usuários o quanto antes, porque assim você passa a ter feedbacks que direcionam o desenvolvimento do seu software para a real necessidade dos usuários. Então eu devo liberar Beta? Sim! O quanto antes você liberar o seu software, mais satisfeito ficará o usuário e mais chances ele terá de alcançar o sucesso.
Voltando a comparação do Microsoft Project e o TRAC, depois de ter entendido o Getting Real, faço algumas perguntas:
- Para solucionar bugs, qual é o mais fácil? TRAC.
- Se tiver que solucionar problemas no projeto, qual tem mais prejuízo? Microsoft Project.
- Mudança grande no projeto, qual vai sofrer mais para concluir? Microsoft Project.
- Qual software precisa de uma linha de aprendizagem maior? Microsoft Project, que é muito maior.
- Qual software tem a maior parte de suas funcionalidades sendo usadas? TRAC, que por experiência própria chega a ser quase 100%.
- Qual software precisa de um maior investimento inicial? Microsoft Project – dá até medo de pensar.
- Quando você usa o TRAC, você fica tão satisfeito quanto o Microsoft Project? Sim, apesar que raramente tenho que usar algum outro software para uma necessidade específica.
- Qual precisa de um maior esforço inicial do cliente – sem pensar no pagamento da licença? Microsoft Project.
Na Milk-it usamos a filosofia do Getting Real em tudo que podemos e nossos ganhos para uma empresa nova estão sendo significativos. Se você quer evitar stress no mundo de hoje onde temos que gerenciar várias coisas, sempre ao mesmo tempo, leia o livro e pratique.






