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iPad: apps, ebooks fantásticos e a computação pessoal

4 de março de 2010 às 13:01 | Lucas Petes | , , , , , ,

Do anúncio do iPad até hoje, quando ele ainda não teve uma unidade vendida sequer, o quanto você já leu sobre esse gadget? Quantas críticas, elogios, ponderações e, pior, previsões sem nexo? Pois bem, vou fazer um pouco de tudo isso, mas de uma forma um pouco diferente.

Uma das primeiras piadas com o iPho... digo, iPad.

Uma das primeiras piadas com o iPho... digo, iPad.

Se formos analisar o hardware, o iPad é um iPhonão, ainda que 67% mais poderoso: fino, multitoque, botão Home, a mesma conexão USB, etc. Pelo software, o iPad também é um iPhonão, uma vez que o OS é quase o mesmo. Então, porque estou perdendo meu tempo aqui?

Quantos produtos praticamente idênticos foram destinados a públicos radicalmente diferentes com grande sucesso? Muitos. Desde o objeto sisudo que a indústria pinta de rosa e fala que “é de menina” até celulares e computadores. Você já deve ter ouvido falar que o EcoSport é um Fiesta crescido. Muitos carros compartilham uma mesma plataforma e é uma pratica cada vez mais comum, inclusive entre marcas diferentes.

É muito difícil quando se é hard-user de tecnologia levar a sério produtos que não possuem funcionalidades explosivas, mágicas e customizáveis, além de todos os recursos de hardware disponíveis no universo. No entanto, lançamentos como o iPad não são uma questão de quebrar (muitas) barreiras tecnológicas: são uma questão de mercado.

Como bem observado pelo Cardoso:

Todas as tendências apontam para PCs domésticos de desempenho razoável, com grande conectividade, portabilidade, excelentes para navegação web. De preferência um equipamento de baixo custo, mas não tão barato que não permita um jogo eventual ou aplicações 3D. [...] Se não for o seu [PC de 3 anos no futuro], será o de sua mãe.

Da mesma forma que um netbook não faz o menor sentido pra mim, mas possa fazer todo o sentido pra você, o iPad provavelmente não ofereça tudo o que nós precisamos em termos de computação, dentro ou fora de casa. Nem por isso o produto deixa de servir para alguma coisa (ou para alguém). O iPad pode ser o primeiro computador das crianças e dos idosos, pode ser o substituto do netbook daquele executivo que vive entre aeroportos e reuniões, pode ser o computador do universitário que lê, faz trabalhos, usa a internet e assiste seus seriados.

Além dos aplicativos da App Store já existentes, o iPad permite o uso pleno dos aplicativos Web – outra plataforma cada vez mais completa. O Google acaba de comprar o Picnik, conhecido editor de fotos já incorporado em vários serviços, como o Flickr. Os rumores mais fortes dizem que o Picnik fará parte do Google Docs. Ainda falando do Google, lembre-se de que o Chrome OS será praticamente um grande navegador web – e nem por isso será menos poderoso: terá edição de textos, de imagens e planilhas, mensageiro instantâneo e agenda como qualquer outro OS.

Não sei se o iPad será um grande sucesso ou um tremendo fracasso. Também não sei se o momento (timing) foi o melhor pra um lançamento desse tipo. O meu objetivo aqui não é cultuar a Apple ou exaltar o produto. Só gostaria de aproveitar o hype e engrossar o caldo dos que pedem uma visão mais holística da coisa, de pensar em todos os outros pontos além das questões tecnológicas. Revolucionar, fazer melhor e fazer diferente pode ser bem simples.

John Makinson, diretor geral da Peguin Books, apresentou uma visão bem diferente (e fantástica) de ebook, tanto na apresentação, quanto no modelo comercial:

Uma das grandes críticas ao iPad como e-reader são as desvantagens de uma tela LCD perto de uma e-ink. Isto ocorre no modelo da Amazon, onde o material impresso foi simplesmente transportado para o meio digital. O “livro-aplicativo” da Penguin pode ser composto por áudio, vídeo e texto, bem como outras engenhosidades como o mapa das estrelas no final do vídeo. Nada disso pode ser feito por um Kindle, um Nook ou qualquer outro e-reader disponível no mercado. Isto quer dizer que o iPad é melhor que o Kindle? De forma alguma. O Kindle ainda é imbatível como e-reader naquele modelo comercial e no que ele se propõe a fazer como gadget – e deve continuar sendo. Particularmente, acredito que “apenas” seja bastante conveniente abrir a App Store também para ebooks (é um mercado em crescimento, o reader do iPad promete ser muito bom, é muito cômodo ler e fazer outras atividades em um só aparelho ao invés de carregar dois, etc.), mas o objetivo não deve ser um grande market share.

via Tiago Dória, Meio Bit, Meio Bit.

Configurações do OS: prosa, verso e taquigrafia.

18 de fevereiro de 2010 às 14:15 | Lucas Petes | , , , , ,

Uma das grandes máximas do design de interfaces é aquela de que quanto mais invisível, mais eficaz ela é. Dispensar manuais e treinamentos também é um outro bom indício de uma interface bem construída. No caso de um sistema operacional, onde você tem usuários com diferentes graus de familiariadade com computadores e o utilizam também para finalidades tão distintas, parece muito complicado construir uma interface tão abrangente. Vou tentar comentar neste post as diferenças no projeto de interface entre os principais sistemas operacionais e gerenciadores de janelas.

Wizards

Wizard - Windows XP

O Windows carrega no colo o usuário iniciante na maioria das situações. A cada novo ajuste, uma sequência de passos dentro de um wizard vão explicando o que o usuário deve fazer. São parágrafos e mais parágrafos, com orientações e possíveis caminhos. Parece ótimo: deixa o usuário mais seguro, facilita o tratamento de erros, não desfavorece o usuário médio – que ignora os textos – etc. Por outro lado, dificulta a tradução de textos e mais textos em todas as línguas a cada versão. Para o usuário avançado, que talvez precise executar a mesma tarefa num dia, é mais que desconfortavel. Tentar explicar em prosa ou limitar configurações que podem ser usadas para inúmeros fins também não é uma saída das mais inteligentes. Qual a diferença entre a rede doméstica e a rede de pequena empresa? Qual a diferença entre a instalação rápida, completa ou personalizada? Qual a necessidade de um texto enorme sobre o que está sendo feito seguido de um campo “Máscara de Sub-Rede” logo abaixo? Isto realmente é familiar ao usuário? Caberia um wizard em um caso como esse?

Painel de Controle

Usei o Windows desde a versão 3.1. Desde aquele tempo, havia um painel de controle para definições gerais do sistema. Fontes, dispositivos, tela, etc. Alguns poucos ícones. De lá pra cá, o sistema foi se tornando mais complexo. O número funcionalidades do sistema operacional cresceu, surgiram diversos tipos de dispositivos e possibilidades de trabalho. Com o sistema, o número de ícones no Painel de Controle se multiplicou: o que não é exatamente muito bom. Janelas de configuração já existentes em outras versões do Windows foram mantidas e funções afins foram sendo postas em itens separados. Chegamos hoje ao cúmulo de ter meia dúzia de itens relacionados a rede, além de uma barra mutante do lado esquerdo. Para onde ir?

Tentando simplificar e reduzir o caos, desde o Windows XP (ou seria o 2000?) há uma versão resumida (com os itens mais comuns) e uma ‘avançada’ do Painel de Controle. Esta é realmente a melhor saída?

Em verso

A Apple é uma empresa conhecida por tomar decisões pelos seus usuários, muitas vezes radicais. Provavelmente “Macintosh sem possibilidade de upgrade”, “retirada do drive de disquete”, “somente porta USB”, “retirada do drive de dvd”, “sem 3G” e “monotarefa” façam algum sentido pra você. A verdade é que o Mac OS, principalmente a partir da versão 10, também é um sistema extremamente opinativo, objetivo, direto.

Windows 3.1

Windows 3.1

Windows 7

Windows 7

Mac OS X

Mac OS X


Dentro do mesmo ambiente há telas e configurações comuns a usuários iniciantes e avançados. Seu uso é confortável para ambas as personas. Isto se dá por conta das telas enxutas e organizadas, suficientemente didáticas e bem suportadas por tópicos de ajuda. Manter uma tela única e mutante para todos os itens do painel de controle também reduz consideravelmente a frustração caso o usuário se engane e abra um item que não contém o que ele procura (por exemplo, abrir ‘teclado’ ao invés de ‘idiomas/texto’ para trocar o layout de teclado). É simples voltar e usar outro item. Exceto em algumas poucas situações, não há ‘modo Avançado’ nas configurações normais. Itens mais específicos e que são procurados somente por usuários avançados estão fora das preferências do sistema, na forma de aplicativos da pasta Utilitários.

O Terminal

Taquigrafia ou estenografia (do grego taqui = rápido e grafia = escrita) é um termo geral que define todo método abreviado ou simbólico de escrita, com o objetivo de melhorar a velocidade da escrita ou a brevidade, em comparação a um método padrão de escrita. Fonte: Wikipedia

A comparação com a taquigrafia ou mesmo com LIBRAS é apenas uma brincadeira, mas não há nada mais eficiente, preciso e rápido para um usuário avançado do que o terminal: nenhuma interface ultra revolucionária ou esquema de janelas existente. Difícil competir com um ifconfig na hora de configurar uma rede, meia dúzia de arquivos de texto para configurar usuários, grupos e permissões e alguns scripts para algumas tarefas rotineiras. A distância entre pensamento e a execução é mínima. A linguagem e a dispersão são reduzidas ao máximo, enquanto o foco é total. A vantagem ainda é maior quando a necessidade é de executar tarefas repetidas ou estar no controle de várias máquinas ao mesmo tempo.

E então? Para tarefas muito especificas e avançadas uma interface não serve pra nada? Ela é apenas uma muleta for the rest of us? É quase uma pegadinha: O esquema WIMP talvez não seja a melhor maneira de se resolver a interface de determinados tipos de tarefa. Na verdade, talvez não seja a melhor maneira de resolver interface nenhuma – só não teriam inventado nada melhor ou nada que tivesse adoção por parte dos grandes players. Um exemplo semelhante é o teclado QWERTY vs. DVORAK. O terminal, por sua vez, é um tipo de interface, com todos os seus méritos, defeitos e especificidades.

$ love
-sh: love: not found
$ happiness
-sh: happiness: not found
$ peace
-sh: peace: not found
$ kill
-sh: you need to specify whom to kill

A explosão das formas de interação

17 de janeiro de 2010 às 22:17 | Lucas Petes | , , , , , , , , , ,
Já sonhei muito com um desse

Já sonhei muito com um desse

Vimos ao longo dos anos 90 (anos 80 nos países desenvolvidos) o grande salto da informática na vida das pessoas. Empresas passaram pelo processo mágico da “informatização”, cursos surgiram em todas as esquinas, grandes varejistas passaram a exibir as máquinas em suas prateleiras em meio aos videocassetes e televisores. O sucesso comercial da Web serviu para inclinar ainda mais essa curva. Por uma questão de evolução, softwares mais completos, amadurecimento da tecnologia e obsolescência programada havia a concorrência por computadores cada vez mais potentes e equipados – kit multimídia, placa 3D e Pentium MMX são termos que já devem ter feito parte da sua vida.

Os anos 2000 trouxeram a popularização do celular e quase tudo girava em torno da palavra convergência. Serviços aglutinados em “combos”, aparelhos de MP3, MP4, MP15MP40, celulares canivetes-suíços-pós-modernos.

No final da década, lançamentos importantes e a apresentação de tecnologias revolucionárias – ou a combinação perfeita de algumas já disponíveis – prometem para os próximos anos uma explosão das formas com que o homem poderá interagir com a máquina e com os seus semelhantes.

Muitas vezes a indústria é ansiosa e fica na expectativa de pegar o bonde andando e conseguir faturar algum dinheiro às custas do hype. Não falo só da indústria de bens de consumo duráveis, mas me refiro a qualquer coisa que gere algum barulho e consiga a atenção das pessoas. Afinal de contas, é isso o que importa. Houve um tempo em que todo cliente pedia um efeito morph na sua nova campanha de TV. Qual era o motivo?. Quantos aparelhos de celular com o form factor “flip” existiam antes do StarTAC? Quantos aparelhos de celular com o form factor… erhh… iPhone existiam antes do dito cujo? Quantos funcionam direito? Quantos são os genéricos?

Segundo a Apple, houve uns quatro anos de pesquisa antes da apresentação do iPhone, em janeiro de 2007. Muito mais impressionante na época do que hoje talvez possa parecer, o aparelho oferece uma integração de altíssimo nível entre software e hardware: é impensável um sem o outro. Mais do que um aparelho legal e uma mina de dinheiro, o iPhone trazia consigo uma nova forma de interação: o multi-toque, aplicado de maneira simples, madura e intuitiva.

LG Prada 2

LG Prada

Dos aparelhos que vieram depois – LG Prada, HTCs diversos, Palm Pré – quantos efetivamente conseguiram fazer um bom uso da tecnologia de [multi]toque? Quantos a usaram apenas por conta do hype, como uma perfumaria cara e dispensável?

Pensando em Web, aposto uma licença do Ubuntu como você não consegue reunir 5 exemplos realmente bons do uso de Realidade Aumentada em Flash, mesmo se for profissional da área. Conseguiu? E 10 exemplos? Conseguiram de fato promover uma interação rica e sem desconfortos para o usuário? Confesso que conheço bem poucos, e os melhores nem são em Flash.

Microsoft Surface, Reactable, DS, Wii, Project Natal, IdeaPad U1 e Kindle. Invenções, inovações, melhores implementações de tecnologias já existentes, respostas aos concorrentes, frankensteins ou apenas testes de buzz?

Inovar sempre foi a melhor forma de estar na frente, mas encher os olhos com uma nova forma de interação não quer dizer muita coisa se não for bem empregada. Vamos combinar que não é lá muito legal ficar com o braço estendido pra frente. Pegar o bonde do hype andando e não entender por que ele anda é ainda mais imperdoável.

É bem provável que a próxima década seja marcada pela multiplicação das formas de interação: desenvolvidas por muitos, bem aplicadas por poucos e competentes vencedores. Atrás destes, o caos dos concorrentes. A ficha demora a cair. A incredulidade também faz parte. Quantos anos foram necessários para a indústria entender e aprender a lidar com o mouse?(1) Até a consolidação, muita água ainda precisa passar por debaixo da ponte.

Falando nisso, o tablet da Apple vem aí. Entre os diferenciais prometidos, está uma nova forma de interação. Mais uma virada de mercado? Os outros players do mercado vão ficar mais uma vez com o sorvete na testa?

(1) Há registros de um “mouse” militar de 1952. Aquele outro de madeira, mais conhecido, data de 1964. Apesar das boas intenções da Xerox em 81, uma implementação mais madura (e mais vendida) foi a do Macintosh, em 1984. (via Wikipedia)

A Web e o HTML: Passado, presente e futuro (Parte 3)

15 de janeiro de 2008 às 11:57 | Lucas Petes | , , , , , , , , , ,

Bom, depois de ficar muito tempo sem postar (perdão!) e de assistir 2001: Uma Odisséia no Espaço, o que me deixará afetado por algumas semanas, retomo este post.

O HTML foi criado como um meio de troca de documentos (científicos) entre máquinas e sistemas diferentes, usando o protocolo HTTP. Quem um dia já teve a oportunidade de escrever um documento científico sabe que ele é constituído de diversos elementos (titulo, resumo, autores, bibliografia, referências, etc.) que geralmente se repetem ou são obrigatórios/necessários. Com essa estrutura ‘previsível’, levantar e implementar as tags HTML necessárias para formatar tais documentos provavelmente não foi uma tarefa das mais difíceis. Além disso, diversas tags o HTML já herdava do SGML.

… mas a Web cresceu. Foi aberta para o mundo, para todos. E aí? Nem só de documentos científicos vivia essa Web.

Pois bem. Os browsers cresceram e apareceram com a Web. Mosaic, Netscape, Internet Explorer.

- Como colocar ‘tal’ texto em ‘tal’ lugar? Como criar colunas, barras, etc?
- Tipo um jornal?
- É! Tipo um jornal!
- Ora! Com tabelas!

Com tabelas, por favor!

As tabelas foram incluídas na especificação do HTML 3, em 1995. Daí pra frente, além de carregarem consigo dados tabulares, as tabelas serviam de grid para as páginas. E assim foi até uns dias atrás.

A proposta do CSS1 veio no mesmo ano, em novembro. A Microsoft adotou a idéia e prometeu implementar no recém-lançado Internet Explorer

Vale lembrar que desde 1993 havia na lista www-talk a idéia de uma folha de estilos pra HTML. Nada ainda em ‘cascata’. Veja a proposta do pessoal da O’Reilly:

@H1 fo(fa=he,si=32,we=bo) ve(be=1,af=2)

que equivale a:

h1 {
  font-family: sans-serif;
  font-size: 32pt;
  font-weight: 900;
  padding-top: 1em;
  padding-bottom: 2em;
}

Daí em diante, muita água passou por debaixo da ponte. A web crescia mais e mais. Novas possibilidades surgiam: e-commerce, leilões, chats, comunidades, enormes portais, web apps. Os browsers – claro, principalmente o eixo IE-Netscape – implementavam novas tags e outras tecnologias deliberadamente, levados pelo mercado e na tentativa de ganhar novos adeptos, tanto o usuário final quanto o desenvolvedor. Site compatível com IE nem sempre era com o Netscape e vice-versa.

A especificações do HTML4 e do CSS2 foram liberadas em 1998. Também em 1998, foi fundado o WaSP, o projeto Mozilla e foram iniciados os rascunhos do que viria a ser o XHTML.

E o vento começou a virar

Pequenos e grandes movimentos deram início ao trabalho de evangelização dos webstandards. A tecnologia disponível e a maioria dos browsers em uso já suportava o “pleno” uso de HTML/CSS para a construção de quaisquer tipos de site sem o uso, por exemplo, de tabelas como grid ou da tag <font>.

Como antes “HTML não era importante”, era “coisa pra browser entender” e era “uma bagunça de tag com trilhões de <td>”, nem todo ‘profissional’ web entendia HTML – o negócio era editor WYSIWYG. Macromedia Dreamweaver, Microsoft FrontPage, Netscape Composer, Adobe GoLive! e tantos outros eram ferramentas essenciais. Até concordo. Criar inúmeras estruturas de tabelas aninhadas na unha nunca foi tarefa das mais fáceis. Pior ainda era entender aquilo depois. No entanto, o movimento dos webstandards pregava uma coisa que essas ferramentas ainda não faziam no modo visual – e não fazem direito até hoje. Talvez por isso a migração para os padrões tenha sido tão lenta: a longa curva de aprendizado dos profissionais que até então dominavam o mercado e a demora para a evolução das ferramentas.

Do início dos anos 2000 pra cá, a adoção dos webstandards cresceu exponencialmente. Quem até então relutava em fazer da web um mundo melhor foi convencido pelo bolso (redução de custos e tempo de implementação e manutenção), pela equipe (programador nenhum gosta de trabalhar em um mar de <td>), ou pelo Google (conteúdo relevante como ele deve ser). Ah, sem falar que agências e profissionais anunciavam webstandards como diferencial competitivo – o que de fato era. Como a concorrência não quer nunca ficar pra trás, fizeram a lição de casa.

O XHTML foi liberado em 2000, como uma substituição/evolução do HTML 4. Hoje provavelmente seja a especificação mais usada para a escrita de novos documentos, mais por conta das melhorias de sintaxe em relação do HTML 4 do que pela abordagem do seu uso como documento XML. O futuro proposto pela W3C para o XHTML foi visto por Apple, Mozilla e Opera como um distanciamento da realidade e das necessidades dos autores dos documentos da web. Por conta disso, formaram o WHATWG, com foco principal na construção da especificação do Web Applications 1.0 (aka HTML 5).

No próximo post (provavelmente o último), as mudanças nas sintaxes de HTML4 e XHTML para HTML 5.

Ref: http://virtuelvis.com/archives/2005/01/css-history – História do CSS, principalmente quanto às sintaxes propostas

A Web e o HTML: Passado, presente e futuro (Parte 2)

25 de dezembro de 2007 às 12:20 | Lucas Petes | , , , , , , , , , ,

1993

  • a tag img é sugerida pelo time de desenvolvimento do Mosaic;
  • o Mosaic é lançado para o ambiente gráfico X e depois para Windows e Macintosh;

1994

  • Maio – Primeira World Wide Web Conference, organizada pelo CERN. Foi chamada de “a Woodstock da Web”, com 400 usuários e desenvolvedores;
    A Spyglass Inc. compra os direitos comerciais do Mosaic;
  • Julho – Sai a especificação do HTML 2;
  • Novembro – Nasce o Netscape, browser de uso extremamente simples – vale lembrar que praticamente todos os browsers de hoje seguem a estrutura visual do Netscape. Por conta da ‘necessidade’, criaram diversas tags arbitrariamente. Dificilmente apareciam nas grandes conferências da WWW e pareciam dirigir o padrão HTML. O Mozilla (contração de Mosaic Killer), um lagarto verde, era o mascote da empresa e era encontrado nas páginas do website. Aqui, o e-mail de lançamento do Netscape;
  • Final do Ano – É formada a W3C – World Wide Web Consortium, chefiada por Tim Berners-Lee;
  • Em algum ponto de 1994 – Início do projeto Opera, como pesquisa na Telenor, maior empresa norueguesa de telecomunicações;

1995

  • Início do ano – Novas tags surgem, rascunho do HTML 3 é liberado e a linguagem ganha especificação para tabelas;
  • Agosto – O Internet Explorer é anunciado, baseado em um licenciamento do Spyglass Mosaic. ActiveX seria o diferencial;
  • Setembro – Netscape propõe os frames;
  • Novembro – Internet Explorer é lançado para Win NT e 95;
    CSS é proposto e Microsoft promete implementação no IE;
    Rascunho da internacionalização do HTML, com suporte a diferentes alfabetos e sets de caracteres;
  • Em algum ponto de 1995 – Projeto Opera se torna uma empresa separada, a Opera Software ASA;

1996

  • Abril - W3C inicia rascunhos de padronização de scripting;
  • Julho – IE 3.1 é lançado para Mac e Windows 3.1;
  • Dezembro – Início dos trabalhos no projeto codinome Cougar, que viria a ser o HTML4;

1997

  • Janeiro – Especificação do HTML 3.2 (wilbur) é liberada, como um grande acordo entre os players do mercado. A especificação já inclui applets, tables, float de textos em torno de imagens, sobrescritos e subescritos;

1998

  • Fevereiro – Netscape libera o código do Netscape Communicator 5, em fase de projeto. Cria o mozilla.org, pra organizar o desenvolvimento;
  • 2° trimestre – HTML 4 (Cougar) é liberado como recomendação da W3C;
  • Outubro – Código do Netscape 5 é considerado sem futuro e é descartado. O “Mozilla” começa a ser reescrito do zero, tendo como meta o suporte aos padrões HTML4, XML, DOM e CSS1;
  • NovembroAOL compra Netscape. Daí em diante, todos os releases do Netscape seriam baseados no Mozilla;
  • Dezembro – W3C libera rascunho de ‘reformulação do HTML em XML’ – codinome Voyager – que viria a ser o XHTML;
  • Em algum ponto de 1998 – Fundado o WaSP: Web Standards Project. Aqui, a missão inicial do projeto.

2000

  • Janeiro – XHTML 1.0 passa a ser Recomendação da W3C;
  • Março – estouro da bolha da internet;
  • Em algum ponto de 2000 – Lançado o Opera Mobile;

2001

  • Maio – XHTML 1.1 passa a ser Recomendação da W3C;
  • Agosto – Lançado o Microsoft Internet Explorer 6;

2002

  • Setembro – Release do Phoenix 0.1, versão independente do Mozilla Navigator (futuro Firefox);

2003

2004

  • Fevereiro – Mozilla Firebird é rebatizado como Mozilla Firefox;
  • Novembro – Lançado o Mozilla Firefox 1.0;
  • Em algum ponto de 2004 – Após um workshop da W3C, Apple, Mozilla e Opera, insatisfeitos com os rumos que a W3C estava dando ao XHTML/HTML (se distanciando das reais necessidades dos autores), fundaram o WHATWG. O HTML 5 (Web Applications 1.0) é o principal foco do WHATWG e também do novo W3C HTML Working Group;

2005

  • Outubro - Firefox bate a marca de 100 milhões de downloads;
  • Em algum ponto de 2005 – A Mozilla Corporation é criada (mozilla.com);
    Criação dos Microformatos, projeto que visa adicionar mais semântica ao código HTML (machine understandable).

2006

  • Outubro – Lançado o Microsoft Internet Explorer 7;
  • Em algum ponto de 2006 – Lançado o Opera Mini, em Java, para celulares;
    Opera lançado para Nintendo DS e Wii.

2007

  • Junho – Opera Mini 4 é lançado;
    Versão beta do Safari para Windows é lançada;
  • Dezembro – Internet Explorer 8, ainda em desenvolvimento, passa no teste Acid2, do WaSP. Até então, somente o Opera 9.2 havia passado.

2008

  • Início do ano (esperado) – Lançamento do Mozilla Firefox 3, Opera 9.5 e beta do IE8;

No próximo post, o uso do HTML ao longo dos anos pelos desenvolvedores.

Fonte:

http://www.w3.org/People/Raggett/book4/ch02.html
http://br.mozdev.org/sobre/crono/
http://www.eskimo.com/~bloo/indexdot/history/html.htm