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A explosão das formas de interação

17 de janeiro de 2010 às 22:17 | Lucas Petes | , , , , , , , , , ,
Já sonhei muito com um desse

Já sonhei muito com um desse

Vimos ao longo dos anos 90 (anos 80 nos países desenvolvidos) o grande salto da informática na vida das pessoas. Empresas passaram pelo processo mágico da “informatização”, cursos surgiram em todas as esquinas, grandes varejistas passaram a exibir as máquinas em suas prateleiras em meio aos videocassetes e televisores. O sucesso comercial da Web serviu para inclinar ainda mais essa curva. Por uma questão de evolução, softwares mais completos, amadurecimento da tecnologia e obsolescência programada havia a concorrência por computadores cada vez mais potentes e equipados – kit multimídia, placa 3D e Pentium MMX são termos que já devem ter feito parte da sua vida.

Os anos 2000 trouxeram a popularização do celular e quase tudo girava em torno da palavra convergência. Serviços aglutinados em “combos”, aparelhos de MP3, MP4, MP15MP40, celulares canivetes-suíços-pós-modernos.

No final da década, lançamentos importantes e a apresentação de tecnologias revolucionárias – ou a combinação perfeita de algumas já disponíveis – prometem para os próximos anos uma explosão das formas com que o homem poderá interagir com a máquina e com os seus semelhantes.

Muitas vezes a indústria é ansiosa e fica na expectativa de pegar o bonde andando e conseguir faturar algum dinheiro às custas do hype. Não falo só da indústria de bens de consumo duráveis, mas me refiro a qualquer coisa que gere algum barulho e consiga a atenção das pessoas. Afinal de contas, é isso o que importa. Houve um tempo em que todo cliente pedia um efeito morph na sua nova campanha de TV. Qual era o motivo?. Quantos aparelhos de celular com o form factor “flip” existiam antes do StarTAC? Quantos aparelhos de celular com o form factor… erhh… iPhone existiam antes do dito cujo? Quantos funcionam direito? Quantos são os genéricos?

Segundo a Apple, houve uns quatro anos de pesquisa antes da apresentação do iPhone, em janeiro de 2007. Muito mais impressionante na época do que hoje talvez possa parecer, o aparelho oferece uma integração de altíssimo nível entre software e hardware: é impensável um sem o outro. Mais do que um aparelho legal e uma mina de dinheiro, o iPhone trazia consigo uma nova forma de interação: o multi-toque, aplicado de maneira simples, madura e intuitiva.

LG Prada 2

LG Prada

Dos aparelhos que vieram depois – LG Prada, HTCs diversos, Palm Pré – quantos efetivamente conseguiram fazer um bom uso da tecnologia de [multi]toque? Quantos a usaram apenas por conta do hype, como uma perfumaria cara e dispensável?

Pensando em Web, aposto uma licença do Ubuntu como você não consegue reunir 5 exemplos realmente bons do uso de Realidade Aumentada em Flash, mesmo se for profissional da área. Conseguiu? E 10 exemplos? Conseguiram de fato promover uma interação rica e sem desconfortos para o usuário? Confesso que conheço bem poucos, e os melhores nem são em Flash.

Microsoft Surface, Reactable, DS, Wii, Project Natal, IdeaPad U1 e Kindle. Invenções, inovações, melhores implementações de tecnologias já existentes, respostas aos concorrentes, frankensteins ou apenas testes de buzz?

Inovar sempre foi a melhor forma de estar na frente, mas encher os olhos com uma nova forma de interação não quer dizer muita coisa se não for bem empregada. Vamos combinar que não é lá muito legal ficar com o braço estendido pra frente. Pegar o bonde do hype andando e não entender por que ele anda é ainda mais imperdoável.

É bem provável que a próxima década seja marcada pela multiplicação das formas de interação: desenvolvidas por muitos, bem aplicadas por poucos e competentes vencedores. Atrás destes, o caos dos concorrentes. A ficha demora a cair. A incredulidade também faz parte. Quantos anos foram necessários para a indústria entender e aprender a lidar com o mouse?(1) Até a consolidação, muita água ainda precisa passar por debaixo da ponte.

Falando nisso, o tablet da Apple vem aí. Entre os diferenciais prometidos, está uma nova forma de interação. Mais uma virada de mercado? Os outros players do mercado vão ficar mais uma vez com o sorvete na testa?

(1) Há registros de um “mouse” militar de 1952. Aquele outro de madeira, mais conhecido, data de 1964. Apesar das boas intenções da Xerox em 81, uma implementação mais madura (e mais vendida) foi a do Macintosh, em 1984. (via Wikipedia)

Livres das plataformas

26 de novembro de 2007 às 14:54 | Lucas Petes | , , , , , , , , , , ,

Não, o título não se refere às sandálias femininas. Estamos falando de uma inclinação do mercado para o fim das aplicações desenvolvidas para uma única plataforma, seja ela Windows, Linux ou o PS3 que você vai comprar no (próximo) Natal. Estamos falando do desprendimento dos softwares e dos seus produtores de certas parcerias um dia lucrativas, mas que hoje só fazem reduzir o mercado de atuação da empresa – inutilmente.

Se um dia foi ‘vantajoso’ desenvolver sites e sistemas que rodassem somente no IE, está claro que hoje não é mais. O Firefox engoliu parte do seu share no Windows, o Safari no Mac cresceu e apareceu e o Opera é lider pra mobiles (cada vez mais usados para navegação na web convencional. esqueça WAP. Ainda não vi também muito sentindo no .mobi*) e não-PCs – e diga-se de passagem que ele é o browser principal do Michel. Não era uma questão de ‘adivinhar’ que o mercado se comportaria dessa maneira. Esse sempre foi um fator que deveria ter sido considerado: não produzir material somente para o grande player do momento, ainda mais na existência de bons padrões.

Se a utilização do Linux vem crescendo tanto e os Macs têm vendido como nunca, por que fazer um software por exemplo, de ‘edição de imagens’, só para Windows (pior ainda se for utilizando uma ferramenta proprietária só para Windows)? Talvez o produto tenha mais chances de sucesso em outro OS pela falta de bons concorrentes, pelo perfil do usuário ou qualquer que seja o motivo, e você nunca descobrirá. É muito mais fácil ter o reconhecimento dos usuários do Linux que é carente de softwares gráficos por um bom software produzido, do que dos usuários Windows. As ferramentas estão aí. Basta usar.

Já nos consoles, a história é um pouco diferente. Cada plataforma tem suas peculiaridades e especificidades. Poder diferente de hardware, outros controles, outras interações. A EA produz hoje jogos para 14 plataformas diferentes e sinaliza que o ideal seria algo como uma set-top box, onde os jogos seriam baixados pela internet, em uma plataforma única. O resultado? Jogos mais baratos, aumento no número de títulos, maior concorrência entre as produtoras, menos dinheiro gasto somente para portar um mesmo jogo entre várias plataformas, etc. Todos ganham.(1)

A briga das plataformas para o mercado de dispositivos móveis é cada vez mais acirrada, principalmente entre os smartphones. Vale citar aqui o prêmio oferecido pelo Google como incentivo ao desenvolvimento de aplicativos para o Android, que é livre e fruto da Open Handset Alliance, que têm como membros empresas como a LG, Motorola, Intel, nVidia, HTC, Qualcomm e várias grandes operadoras.

* O .mobi foi bem usado recentemente para a venda de “automobile” :)

(1)Fonte: MeioBit

update: o KDE4 deve rodar em Linux, MacOS e Windows.