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Livres das plataformas

26 de novembro de 2007 às 14:54 | Lucas Petes | , , , , , , , , , , ,

Não, o título não se refere às sandálias femininas. Estamos falando de uma inclinação do mercado para o fim das aplicações desenvolvidas para uma única plataforma, seja ela Windows, Linux ou o PS3 que você vai comprar no (próximo) Natal. Estamos falando do desprendimento dos softwares e dos seus produtores de certas parcerias um dia lucrativas, mas que hoje só fazem reduzir o mercado de atuação da empresa – inutilmente.

Se um dia foi ‘vantajoso’ desenvolver sites e sistemas que rodassem somente no IE, está claro que hoje não é mais. O Firefox engoliu parte do seu share no Windows, o Safari no Mac cresceu e apareceu e o Opera é lider pra mobiles (cada vez mais usados para navegação na web convencional. esqueça WAP. Ainda não vi também muito sentindo no .mobi*) e não-PCs – e diga-se de passagem que ele é o browser principal do Michel. Não era uma questão de ‘adivinhar’ que o mercado se comportaria dessa maneira. Esse sempre foi um fator que deveria ter sido considerado: não produzir material somente para o grande player do momento, ainda mais na existência de bons padrões.

Se a utilização do Linux vem crescendo tanto e os Macs têm vendido como nunca, por que fazer um software por exemplo, de ‘edição de imagens’, só para Windows (pior ainda se for utilizando uma ferramenta proprietária só para Windows)? Talvez o produto tenha mais chances de sucesso em outro OS pela falta de bons concorrentes, pelo perfil do usuário ou qualquer que seja o motivo, e você nunca descobrirá. É muito mais fácil ter o reconhecimento dos usuários do Linux que é carente de softwares gráficos por um bom software produzido, do que dos usuários Windows. As ferramentas estão aí. Basta usar.

Já nos consoles, a história é um pouco diferente. Cada plataforma tem suas peculiaridades e especificidades. Poder diferente de hardware, outros controles, outras interações. A EA produz hoje jogos para 14 plataformas diferentes e sinaliza que o ideal seria algo como uma set-top box, onde os jogos seriam baixados pela internet, em uma plataforma única. O resultado? Jogos mais baratos, aumento no número de títulos, maior concorrência entre as produtoras, menos dinheiro gasto somente para portar um mesmo jogo entre várias plataformas, etc. Todos ganham.(1)

A briga das plataformas para o mercado de dispositivos móveis é cada vez mais acirrada, principalmente entre os smartphones. Vale citar aqui o prêmio oferecido pelo Google como incentivo ao desenvolvimento de aplicativos para o Android, que é livre e fruto da Open Handset Alliance, que têm como membros empresas como a LG, Motorola, Intel, nVidia, HTC, Qualcomm e várias grandes operadoras.

* O .mobi foi bem usado recentemente para a venda de “automobile” :)

(1)Fonte: MeioBit

update: o KDE4 deve rodar em Linux, MacOS e Windows.

Da web para o desktop: Mozilla XULRunner e Adobe AIR

22 de outubro de 2007 às 15:22 | Lucas Petes | , , ,

Diversas aplicações têm aparecido para desktop baseadas em tecnologias originalmente desenvolvidas para web. As vantagens?

Multiplataforma: Windows? Linux? Mac? A aplicação será a mesma. Absolutamente a mesma. – a não ser que você não queira isto. Não há a preocupação de desenvolver a interface do seu software em Cocoa, em GTK, Qt ou seja-lá-qual-for-a-biblioteca-de-interface-gráfica.

Recursos: As plataformas trazem consigo recursos e suporte a tecnologias que você levaria anos se fosse implementar sozinho.

Foco: Você se preocupa em trabalhar com o que sabe fazer de melhor. Menos stress, curva de aprendizado razoável, prazos determináveis e dentro da realidade.

Instalação/Desinstalação: Ah, isso os dois também suportam nativamente.

XULRunner

O XUL (pronúncia zúl) é uma linguagem de marcação, semelhante ao DHTML e foi desenvolvido para suportar aplicações do projeto Mozilla. Projetos como o Firefox e o Thunderbird possuem suas interfaces construídas em XUL e outras tecnologias, tais como CSS (apresentação/tema), Javascript (comportamento), DTD (principalmente para a internacionalização) e RDF (descrição do conteúdo).

É relativamente fácil a construção de uma aplicação em XUL para quem está acostumado a codificar HTML. Além disso há uma separação entre a interface e a lógica do software. Uma aplicação cuja interface fosse construída em XUL poderia rodar em Firefox ou qualquer outro navegador baseado no Gecko.

O XULRunner dispensa o browser. Ele é um pacote de execução que permite rodar aplicações XUL+XPCOM standalone. Isto significa que um software que se utiliza desta plataforma pode suportar extensões, temas, plugins, vários protocolos e diversas outras configurações que o Firefox e o Thunderbird suportam.

Exemplos de belos softwares desenvolvidos em XULRunner são o famoso Joost e o emergente Songbird.

Adobe AIR

Batizado inicialmente com o nome de Apollo, o AIR permite portar aplicações Flex, Flash e HTML/JS via engine WebKit (iniciada com o KHTML + modificações da Apple para o Safari + trabalho da comunidade) para o desktop.

O instalador possui 9mb e está disponível no site da Adobe. Uma vez instalado, é capaz de ler os arquivos “.air” das aplicações e instalá-los.

De exemplo, deixo o kuler, o Adobe Media Player e o Ebay Desktop

O ponto mais polêmico no uso do XULRunner ou do AIR é que para cada aplicação é instalada uma nova instância do XULRunner, enquanto que o AIR, é instalado somente uma vez. A principal desvantagem de se ter múltiplas instâncias é o uso de espaço em disco aumentado e a descentralização das atualizações da plataforma. No entanto, você não correria o risco de atualizar o pacote de execução e algumas das suas aplicações instaladas não serem mais compatíveis, o que representaria mais dor de cabeça para o desenvolvedor de cada aplicação.