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iPad: apps, ebooks fantásticos e a computação pessoal

4 de março de 2010 às 13:01 | Lucas Petes | , , , , , ,

Do anúncio do iPad até hoje, quando ele ainda não teve uma unidade vendida sequer, o quanto você já leu sobre esse gadget? Quantas críticas, elogios, ponderações e, pior, previsões sem nexo? Pois bem, vou fazer um pouco de tudo isso, mas de uma forma um pouco diferente.

Uma das primeiras piadas com o iPho... digo, iPad.

Uma das primeiras piadas com o iPho... digo, iPad.

Se formos analisar o hardware, o iPad é um iPhonão, ainda que 67% mais poderoso: fino, multitoque, botão Home, a mesma conexão USB, etc. Pelo software, o iPad também é um iPhonão, uma vez que o OS é quase o mesmo. Então, porque estou perdendo meu tempo aqui?

Quantos produtos praticamente idênticos foram destinados a públicos radicalmente diferentes com grande sucesso? Muitos. Desde o objeto sisudo que a indústria pinta de rosa e fala que “é de menina” até celulares e computadores. Você já deve ter ouvido falar que o EcoSport é um Fiesta crescido. Muitos carros compartilham uma mesma plataforma e é uma pratica cada vez mais comum, inclusive entre marcas diferentes.

É muito difícil quando se é hard-user de tecnologia levar a sério produtos que não possuem funcionalidades explosivas, mágicas e customizáveis, além de todos os recursos de hardware disponíveis no universo. No entanto, lançamentos como o iPad não são uma questão de quebrar (muitas) barreiras tecnológicas: são uma questão de mercado.

Como bem observado pelo Cardoso:

Todas as tendências apontam para PCs domésticos de desempenho razoável, com grande conectividade, portabilidade, excelentes para navegação web. De preferência um equipamento de baixo custo, mas não tão barato que não permita um jogo eventual ou aplicações 3D. [...] Se não for o seu [PC de 3 anos no futuro], será o de sua mãe.

Da mesma forma que um netbook não faz o menor sentido pra mim, mas possa fazer todo o sentido pra você, o iPad provavelmente não ofereça tudo o que nós precisamos em termos de computação, dentro ou fora de casa. Nem por isso o produto deixa de servir para alguma coisa (ou para alguém). O iPad pode ser o primeiro computador das crianças e dos idosos, pode ser o substituto do netbook daquele executivo que vive entre aeroportos e reuniões, pode ser o computador do universitário que lê, faz trabalhos, usa a internet e assiste seus seriados.

Além dos aplicativos da App Store já existentes, o iPad permite o uso pleno dos aplicativos Web – outra plataforma cada vez mais completa. O Google acaba de comprar o Picnik, conhecido editor de fotos já incorporado em vários serviços, como o Flickr. Os rumores mais fortes dizem que o Picnik fará parte do Google Docs. Ainda falando do Google, lembre-se de que o Chrome OS será praticamente um grande navegador web – e nem por isso será menos poderoso: terá edição de textos, de imagens e planilhas, mensageiro instantâneo e agenda como qualquer outro OS.

Não sei se o iPad será um grande sucesso ou um tremendo fracasso. Também não sei se o momento (timing) foi o melhor pra um lançamento desse tipo. O meu objetivo aqui não é cultuar a Apple ou exaltar o produto. Só gostaria de aproveitar o hype e engrossar o caldo dos que pedem uma visão mais holística da coisa, de pensar em todos os outros pontos além das questões tecnológicas. Revolucionar, fazer melhor e fazer diferente pode ser bem simples.

John Makinson, diretor geral da Peguin Books, apresentou uma visão bem diferente (e fantástica) de ebook, tanto na apresentação, quanto no modelo comercial:

Uma das grandes críticas ao iPad como e-reader são as desvantagens de uma tela LCD perto de uma e-ink. Isto ocorre no modelo da Amazon, onde o material impresso foi simplesmente transportado para o meio digital. O “livro-aplicativo” da Penguin pode ser composto por áudio, vídeo e texto, bem como outras engenhosidades como o mapa das estrelas no final do vídeo. Nada disso pode ser feito por um Kindle, um Nook ou qualquer outro e-reader disponível no mercado. Isto quer dizer que o iPad é melhor que o Kindle? De forma alguma. O Kindle ainda é imbatível como e-reader naquele modelo comercial e no que ele se propõe a fazer como gadget – e deve continuar sendo. Particularmente, acredito que “apenas” seja bastante conveniente abrir a App Store também para ebooks (é um mercado em crescimento, o reader do iPad promete ser muito bom, é muito cômodo ler e fazer outras atividades em um só aparelho ao invés de carregar dois, etc.), mas o objetivo não deve ser um grande market share.

via Tiago Dória, Meio Bit, Meio Bit.

Uma web mais inteligível por homens e máquinas

3 de outubro de 2007 às 11:28 | Lucas Petes | , , , , , , , ,

É fato o crescimento e a popularização crescente da internet ano a ano. A quantidade de conteúdo produzido na rede cresce de maneira exponencial. Os serviços hoje disponíveis de maior sucesso são os que oferecem a produção de conteúdo por qualquer pessoa que tenha vontade de fazê-lo – desde escrever um artigo na Wikipedia a publicar o que está fazendo em 140 caracteres no Twitter.

Ok. Temos uma enorme quantidade de conteúdo disponível por ai. Como organizá-lo?

Como fazer com que a dona de casa que procura a receita do quindim da vovó encontre essa informação entre zilhões de terabytes de dados?

Os mecanismos de busca atuais, tais como Google, Yahoo e Live fazem uso das palavras-chave inseridas, encontram entre as páginas indexadas – ou não – os termos e retornam os resultados por ordem de relevância, popularidade da página (pagerank) e outros ‘n’ critérios.

O que é feito hoje por tais sistemas é um trabalho extremamente difícil – claro, não vemos um ‘novo Google’ por ai todos os dias. A maioria dos sites online hoje ainda não seguem os padrões web, o que dificulta a indexação do que é realmente relevante. Quindim da Vovó escrito dentro de uma tag <h1> indica um título e é muito mais relevante para o buscador do que se escrito dentro de um <span>, independente de que no CSS o <span> esteja estilizado pra uma fonte tamanho 26. A linguagem de marcação (seja ela o HTML ou XHTML) já carrega consigo inúmeras possibilidades semânticas, tais como títulos, listas (ordenadas, não-ordenadas, de definição), endereços, acrônimos, abreviações, dados retirados ou inseridos, ênfases, etc.

Em geral, a semântica (do grego semantikos, derivado de sema, sinal) refere-se ao estudo do significado, em todos os sentidos do termo. A semântica opõe-se com freqüência à sintaxe, caso em que a primeira se ocupa do que algo significa, enquanto a segunda se debruça sobre as estruturas ou padrões formais do modo como esse algo é expresso (por exemplo, escritos ou falados).

Wikipedia

Microformats

Iniciativa de dois caras influentes da internet, Tantek Çelik e Eric Meyer, os microformats são uma biblioteca de formatos abertos para descrever ao máximo o conteúdo de um documento (X)HTML, através de padrões para o conteúdo dos atributos class, rel e rev. Dessa maneira, um parser consegue identificar do que se trata um bloco de código e trabalhá-lo, tal como gerar um vCard, arquivar reviews de produtos, montar uma rede de relacionamentos por XFN, etc. Além disso, um buscador ao visitar a página pode associar tal conteúdo semântico e torná-lo mais relevante em uma determinada busca. Em uma associação dos microformats e da semântica do XHTML, uma busca por “endereço milk-it” pode retornar um resultado mais preciso, já que tal informação se encontra em uma tag <address> e dentro da especificação vCard dos microformatos.

Iniciativas externas louváveis, como a criação dos bioformats – microformatos aplicados a biologia, dão mais força e motivos para a adoção de tal padrão. [1]

Contextos e homônimos

Como diferenciar em uma busca por “manga” os significados “fruta”, “parte da roupa” e “quadrinhos japoneses”?

O Google bem que tenta, mas é de fato uma tarefa extremamente complexa.

A descrição do conteúdo de uma página – seja através do código com microformatos, por tags ou outras formas de classificação – ajudaria bastante na desambiguação e aumentaria consideravelmente a qualidade dos resultados de uma busca.

Powerset

Em outros casos, diversas palavras semelhantes cabem para descrever o que se procura. Uma busca por “João brigou Maria” talvez não tenha tanto sucesso quanto “João discutiu Maria” ou “João separou Maria” “João Maria separados” , etc. No entanto, todas as opções são uma tentativa de encontrar conteúdo sobre um mesmo fato.

O buscador Powerset, quando lançado, promete realizar as buscas com a “linguagem natural”, analisando o que é buscado com base em uma análise lingüística. Ao invés de palavras-chave, são usadas expressões corridas.

No album de screenshots do buscador a busca é feita com o uso de um termo, uma conexão e outro termo. Entre os exemplos dados estão “’something’ cause cancer”, “’something’ prevent cancer”, ou ainda “Paris Hilton ’something’ sex”. Os resultados então aparecem em lista, ordenados pelas ocorrências de relações iguais ou semelhantes às palavras buscadas.

RDF

Bom, pra completar o assunto da web semântica, falta falar sobre o RDF, RDFa e mais alguns detalhes. Mas pra isso, usarei outro post para poder explorar melhor o assunto e estudar mais até lá. :)

[1] via Revolução Etc.