Após o lançamento do iPhone OS 4 há algumas semanas, foi amplamente noticiada a alteração da seção 3.3.1 dos termos de desenvolvimento para a plataforma: nada poderia ser desenvolvido sem que fosse escrito em Obj-C, C, C++ ou Javascript rodando na engine Webkit e usando as APIs da própria Apple. Sem frameworks de terceiros, intermediários e outras ferramentas.
O Flash CS5, então a dois dias do seu lançamento, teve inutilizada a sua funcionalidade mais falada: a compilação de apps pro iPhone (entre outros dispositivos). Usuários comentaram, executivos se enfureceram, o assunto foi acompanhado por muitos blogs. Um dos últimos episódios foi a resposta do próprio Steve Jobs a um dos e-mails, de certa forma validando a opinião de John Gruber, do Daring Fireball, sobre a alteração.
Resumindo, Gruber trata da visão e do controle da Apple sobre o seu negócio e sua plataforma. Trata-se de usar o grande market share de usuários para impulsionar o já grande market share de desenvolvedores, tornando o Cocoa Touch um padrão de fato de desenvolvimento mobile e, provavelmente, incentivando também o desenvolvimento de aplicativos para os Macs. Haver uma plataforma sobre o Cocoa Touch (ainda mais se for o Flash), cria uma base paralela de desenvolvedores, fortalece a nova plataforma e pode facilitar o desenvolvimento de novos apps. No entanto, a base de desenvolvedores da Apple será enfraquecida e, pior, a qualidade dos apps será comprometida. Suponhamos que a Apple libere hoje funcionalidades importantíssimas para o iPhone OS, tal como as APIs de multitarefa no último lançamento: quanto tempo a Adobe levaria para adotá-las (se adotasse)? O suporte seria completo? Haveria bugs? Esses bugs poderiam comprometer a segurança e a reputação da plataforma?
Por fim, Gruber cita o caso do Kindle para iPhone, que é um excelente app e pode ser um grande rival para os recém-lançados iBooks. Já a versão para Mac não se parece nem se comporta como um Mac app – é apenas um port (mal) feito em Qt.
Estamos em 2010 e na Web ainda estamos amarrados a tecnologias especificadas há uma década, por conta dos diferentes níveis de implementação da especificação entre os browsers e da sua frequência de atualização. Pouco adianta que um browser implemente toda as especificações da W3C se ainda temos o IE6 entre nós. A Web não tem um dono que possa arrumar a casa. A plataforma do iPhone tem e esta pode ser nivelada por cima, uma vez que é a Apple quem cria a especificação, desenvolve as tecnologias e os padrões de interação.
No próximo post vou tentar esticar um pouco mais esse paralelo entre o iPhone, o mercado de browsers e os padrões Web. Até lá
Update: A Adobe por fim limou do Flash CS5 a exportação para iPhone. A Apple respondeu. (via)














