Uma das grandes máximas do design de interfaces é aquela de que quanto mais invisível, mais eficaz ela é. Dispensar manuais e treinamentos também é um outro bom indício de uma interface bem construída. No caso de um sistema operacional, onde você tem usuários com diferentes graus de familiariadade com computadores e o utilizam também para finalidades tão distintas, parece muito complicado construir uma interface tão abrangente. Vou tentar comentar neste post as diferenças no projeto de interface entre os principais sistemas operacionais e gerenciadores de janelas.
Wizards
O Windows carrega no colo o usuário iniciante na maioria das situações. A cada novo ajuste, uma sequência de passos dentro de um wizard vão explicando o que o usuário deve fazer. São parágrafos e mais parágrafos, com orientações e possíveis caminhos. Parece ótimo: deixa o usuário mais seguro, facilita o tratamento de erros, não desfavorece o usuário médio – que ignora os textos – etc. Por outro lado, dificulta a tradução de textos e mais textos em todas as línguas a cada versão. Para o usuário avançado, que talvez precise executar a mesma tarefa num dia, é mais que desconfortavel. Tentar explicar em prosa ou limitar configurações que podem ser usadas para inúmeros fins também não é uma saída das mais inteligentes. Qual a diferença entre a rede doméstica e a rede de pequena empresa? Qual a diferença entre a instalação rápida, completa ou personalizada? Qual a necessidade de um texto enorme sobre o que está sendo feito seguido de um campo “Máscara de Sub-Rede” logo abaixo? Isto realmente é familiar ao usuário? Caberia um wizard em um caso como esse?
Painel de Controle
Usei o Windows desde a versão 3.1. Desde aquele tempo, havia um painel de controle para definições gerais do sistema. Fontes, dispositivos, tela, etc. Alguns poucos ícones. De lá pra cá, o sistema foi se tornando mais complexo. O número funcionalidades do sistema operacional cresceu, surgiram diversos tipos de dispositivos e possibilidades de trabalho. Com o sistema, o número de ícones no Painel de Controle se multiplicou: o que não é exatamente muito bom. Janelas de configuração já existentes em outras versões do Windows foram mantidas e funções afins foram sendo postas em itens separados. Chegamos hoje ao cúmulo de ter meia dúzia de itens relacionados a rede, além de uma barra mutante do lado esquerdo. Para onde ir?
Tentando simplificar e reduzir o caos, desde o Windows XP (ou seria o 2000?) há uma versão resumida (com os itens mais comuns) e uma ‘avançada’ do Painel de Controle. Esta é realmente a melhor saída?
Em verso
A Apple é uma empresa conhecida por tomar decisões pelos seus usuários, muitas vezes radicais. Provavelmente “Macintosh sem possibilidade de upgrade”, “retirada do drive de disquete”, “somente porta USB”, “retirada do drive de dvd”, “sem 3G” e “monotarefa” façam algum sentido pra você. A verdade é que o Mac OS, principalmente a partir da versão 10, também é um sistema extremamente opinativo, objetivo, direto.
Dentro do mesmo ambiente há telas e configurações comuns a usuários iniciantes e avançados. Seu uso é confortável para ambas as personas. Isto se dá por conta das telas enxutas e organizadas, suficientemente didáticas e bem suportadas por tópicos de ajuda. Manter uma tela única e mutante para todos os itens do painel de controle também reduz consideravelmente a frustração caso o usuário se engane e abra um item que não contém o que ele procura (por exemplo, abrir ‘teclado’ ao invés de ‘idiomas/texto’ para trocar o layout de teclado). É simples voltar e usar outro item. Exceto em algumas poucas situações, não há ‘modo Avançado’ nas configurações normais. Itens mais específicos e que são procurados somente por usuários avançados estão fora das preferências do sistema, na forma de aplicativos da pasta Utilitários.
O Terminal
Taquigrafia ou estenografia (do grego taqui = rápido e grafia = escrita) é um termo geral que define todo método abreviado ou simbólico de escrita, com o objetivo de melhorar a velocidade da escrita ou a brevidade, em comparação a um método padrão de escrita.Fonte: Wikipedia
A comparação com a taquigrafia ou mesmo com LIBRAS é apenas uma brincadeira, mas não há nada mais eficiente, preciso e rápido para um usuário avançado do que o terminal: nenhuma interface ultra revolucionária ou esquema de janelas existente. Difícil competir com um ifconfig na hora de configurar uma rede, meia dúzia de arquivos de texto para configurar usuários, grupos e permissões e alguns scripts para algumas tarefas rotineiras. A distância entre pensamento e a execução é mínima. A linguagem e a dispersão são reduzidas ao máximo, enquanto o foco é total. A vantagem ainda é maior quando a necessidade é de executar tarefas repetidas ou estar no controle de várias máquinas ao mesmo tempo.
E então? Para tarefas muito especificas e avançadas uma interface não serve pra nada? Ela é apenas uma muleta for the rest of us? É quase uma pegadinha: O esquema WIMP talvez não seja a melhor maneira de se resolver a interface de determinados tipos de tarefa. Na verdade, talvez não seja a melhor maneira de resolver interface nenhuma – só não teriam inventado nada melhor ou nada que tivesse adoção por parte dos grandes players. Um exemplo semelhante é o teclado QWERTY vs. DVORAK. O terminal, por sua vez, é um tipo de interface, com todos os seus méritos, defeitos e especificidades.
$ love -sh: love: not found $ happiness -sh: happiness: not found $ peace -sh: peace: not found $ kill -sh: you need to specify whom to kill














